POLICIAL

Nomeação de delegado para assumir a Delegacia da Mulher gera protestos

A troca de delegados feita em Maringá tem causado polêmica. É que foi anunciada recentemente a substituição da delegada Luana Lopes de Azevedo – que chefiava a Delegacia da Mulher e do Adolescente de Maringá – por Rodolfo Vieira Nanes – que até então era o delegado titular de Marialva. E foi justamente essa troca – concretizada na segunda-feira, 7, que gerou o mau estar.

Uma das primeiras a se pronunciar publicamente foi a vereadora professora Ana Lúcia Rodrigues. “Quando a gente pensa que já viu tudo. Um homem assume como Delegado Titular, a delegacia da Mulher”, postou a vereadora em suas redes sociais. O prefeito Ulisses Maia comentou o post da vereadora dizendo: “Vamos articular para mudar isso. Amanhã falo com a secretaria de segurança. Nada contra o delegado que foi designado. Mas tem que ser mulher. Sem dúvida”.

O Fórum Maringaense de Mulheres também se pronunciou sobre a troca:

Maringá é uma cidade com história de luta e conquistas das mulheres maringaenses, com parceria entre entidades da sociedade civil organizada em movimentos de mulheres e o poder público para o estabelecimento de políticas púbicas para as mulheres.
As Delegacias da Mulher (DM) desde sua criação nos anos 1980 fazem parte de uma estrutura organizada de combate à violência contra as mulheres. O fato de se ter uma delegada mulher possibilita que a mulher em situação de violência se sinta acolhida para relatar a violência sofrida, seja um estupro, uma agressão, um assédio ou outras formas.
Portanto, nosso repúdio é no que se refere a representatividade de gênero, e que um delegado homem (seja ele quem for) implica diretamente no recuo das mulheres em denunciar, pois, a figura masculina pode se tornar um “gatilho” para as vítimas, ou seja ser associada ao agressor e inibir a denúncia por parte da vítima.
Não discutimos a competência e o profissionalismo do delegado, o que discutimos é a afronta a uma luta histórica do movimento organizado de mulheres para que exista uma Delegacia da Mulher comandada por uma mulher para o acolhimento das mulheres em situação de violência. Que seja revogada a nomeação do delegado para a DM e que a cidade de Maringá tenha uma delegada da mulher como sempre teve desde os primórdios da criação da DM.