POLICIAL

Maringá se transforma em epicentro da Covid nos presídios, entre policiais penais, diz sindicato

Maringá se transformou foco da contaminação pelo coronavirus entre os policiais penais (antigos agentes penitenciários). O foco está na Casa de Custódia de Maringá (CCM) com nove casos confirmados e 14 ainda aguardando o resultado. Dos confirmados, seis são da mesma equipe que recebeu presos contaminados da carceragem da 9ª Subdivisão Policial (SDP) no dia 12. Dois desses presos testaram positivos para a Covid-19.

Um outro caso entre policiais penais de Maringá foi registrado na Penitenciária  Estadual de Maringá, com um cônjuge de um dos casos confirmados também na CCM. Esses 10 casos registrados somados aos três da 9º SDP coloca Maringá como  epicentro da contaminação pelo coronavirus entre policiais penais do Paraná.

Sozinha, a cidade já registrou mais casos entre policiais penais do que todo o resto do estado junto. Desses, a quase totalidade está na CCM e 9º SDP. E as duas situações se ligam com essa transferência dos 14 presos da 9ª para a CCM no dia 12/06, sem passar antes pela unidade referência para isolamento de presos suspeitos da COVID-19 que fica em Campo Mourão.

Nas demais cidades, pelo último levantamento feito pelo sindicato os números de confirmados são: Curitiba e Região metropolitana oito; Londrina um;  Foz do Iguaçú um e Cascavel um. Importante destacar que não existe uma política de monitoramento no sistema prisional, em tempo real, sendo feita pelo governo do estado.

Sem prevenção
A transferência desses presos da 9º SDP para a CCM está diretamente ligada ao estouro de contágio entre os policiais penais da unidade, que relatam que na época havia apenas máscaras descartáveis para uso como EPI, quando o necessário seriam equipamento similares aos hospitalares de prevenção da Covid-19, haja vista o contato direto com presos contaminados.

Os policiais penais ainda alegam que não tinham a informação sobre a condição de saúde dos presos que vieram tranferidos para a CCM e que os mesmos, sob suspeita, deveriam ser transferidos diretamente para a “unidade sentinela/referência” que fica em Campo Mourão, destinada ao isolamento de presos com a COVID-19. Somente depois de passarem pelo isolamento de 14 dias e tratamento nesta unidade reservada para este fim, é que deveriam entrar em outras unidades. Isso porque nas carceragens os presos devem ser considerados como suspeitos por conta da aglomeração carcerária, exemplo da cadeia pública de Toledo onde 122 presos foram confirmados de uma única vez.

Com sintomas da doença e preocupados em transmitir o vírus para suas famílias, outros tantos policiais penais estão procurando por testes na rede municipal de saúde e até em laboratórios particulares. O Sindicato tem cobrado à Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR)  que seja feita testagem em massa em todas as unidades penais e sejam adotados protocolos rigorosos de prevenção e combate à pandemia dentro dos presídios.

Outro lado
O Depen Paraná emitiu a seguinte nota após a divulgação do ocorrido:

O Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) esclarece que as Secretarias da Segurança Pública (SESP) e da Saúde (SESA) têm disponibilizado testes para servidores e presos do Paraná. Neste caso, as testagens e as medidas de prevenção ao coronavírus seguem os protocolos da SESA e do Ministério da Saúde.

Na área sob jurisdição da coordenação regional de Maringá do Depen, foram feitos cerca de 90 testes para o Covid-19 em presos e servidores, desde o início da pandemia. Destes, 12 apresentaram resultado positivo, sendo quatro presos e seis agentes penitenciários e dois agentes de cadeia, e oito ainda aguardam resultado.

O Depen reafirma que as medidas de prevenção estão sendo tomadas e que foram disponibilizadas quatro máscaras reutilizáveis para cada servidor da região de Maringá, além de álcool em gel e sabão para higienização das mãos, entre outras medidas já amplamente divulgadas. Além disso, os agentes que por ventura venham a ter contato com casos suspeitos ou confirmados da doença, ainda recebem óculos, capa e face shield.

A coordenação de Maringá ressalta que todo preso que entra no sistema prisional ou que é movimentado de unidade, passa por avaliação de saúde, que inclui medição de temperatura e reposta a um questionário de doenças pré-existentes e demais comorbidades.

Em seguida, o detento vai para o banho e troca de roupa, com lavagem dos tecidos em separado, e segue para cela de isolamento por 14 dias. Se não apresentar sintomas, o preso permanece na unidade. Caso algum sintoma apareça, ele é transferido imediatamente para a unidade sentinela.

O Depen esclarece ainda que a unidade sentinela está sendo utilizada para casos suspeitos e confirmados de Covid-19, justamente para não haver riscos maiores de contaminação. A quarentena preventiva, como foi dito, é feita na própria unidade onde o preso será custodiado, porém, sem que ele tenha contato com outros detentos que já estão na unidade.

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